Na mesma época que eu e meu namorado descobrimos o vírus ele faleceu. Sempre fui uma pessoa muito pés no chão com assuntos delicados, mas, nesse caso, está extremamente difícil. Todos os nossos planos foram interrompidos, não pela doença, mas por conta das consequências dela.
Quando ele faleceu, eu ainda não tinha começado o meu tratamento, foi tudo muito rápido. Veio uma pneumonia, em seguida uma internação, um coma induzido, uma piora frequente e por fim a pior notícia da minha vida. Não conhecia muito sobre o assunto, apenas o que a maioria das pessoas conhece. Ao mesmo tempo que não tinha forças para ir em busca de tratamento, sabia que era necessário.
Em alguns momentos da vida é preciso ter cuidado. Esse é um deles. Aqui estava eu, rodeado de muitas pessoas, porém, sentindo-me absolutamente sozinho. Apenas duas amigas sabem do meu diagnóstico.
Muitas vezes, o sentimento que aperta o meu peito é de cansaço, de esgotamento. De estar no fundo de um poço e, como dizem, lá não existe uma mola. A vida tem um estranho jeito de caminhar para o futuro.
Esse mês completa dez meses que iniciei o meu tratamento e durante esse tempo evitei procurar locais que falam sobre o assunto para me abrir. Porque esse assunto ainda mexe demais comigo. Talvez pelas consequências da perda do meu amado companheiro.
Atualmente tenho acompanhamento médico, os meus exames estão bons. Sempre fui contra preconceitos, mas a insegurança que envolve esse assunto me assombra todos os dias.
E se alguém descobrir? E se meus amigos me virarem as costas? E no futuro, se um dia surgir um novo amor?
Podemos seguir a ideia de “Não me pergunte nada. Não respondo nada”. E mesmo assim ser feliz?
É difícil encontrar alguém que nos ame apesar de tudo, mas não posso fugir do que sou.
Mesmo sabendo que esse vírus está presente em muitos lugares, com pessoas que a gente nem desconfia, a impressão é que sou a única pessoa no mundo com HIV. Mesmo tendo muitas qualidades, como qualquer pessoa, o vírus parece ser a peça principal do meu quebra-cabeça. Parece que ele anulou tudo de bom que eu tinha.
Pode ser que isso seja considerado por alguns leitores como crise existencial. Se for isso, pode-se dizer que essa maldita crise faz com que gente normal, como eu, tenha medo de arriscar. Faz também com que a ideia de perder algo importante, ou pior, perder algo que nem sei o que é, seja o tema principal dos meus pensamentos.
Acredito que um dia vou conseguir enfrentar a realidade. Muita gente com problemas infinitamente mais sérios que o meu consegue. Minha vida parece estar assombrada. Sei que fantasmas só aparecem quando têm assuntos pendentes, e irão embora, automaticamente, quando forem resolvidos.
Amanda Morais Alves, n 1
Giovanna, n 17
Mariana Gomes Alcantara, n 27
Mateus Gonçalves n 28
Raquel Pavanelli, n 34
PowerPoint sobre o assunto:
Textos:
Autor(a):
D.A.W
Um pesadelo.
Na mesma época que eu e meu namorado descobrimos o vírus ele faleceu. Sempre fui uma pessoa muito pés no chão com assuntos delicados, mas, nesse caso, está extremamente difícil. Todos os nossos planos foram interrompidos, não pela doença, mas por conta das consequências dela.
Quando ele faleceu, eu ainda não tinha começado o meu tratamento, foi tudo muito rápido. Veio uma pneumonia, em seguida uma internação, um coma induzido, uma piora frequente e por fim a pior notícia da minha vida. Não conhecia muito sobre o assunto, apenas o que a maioria das pessoas conhece. Ao mesmo tempo que não tinha forças para ir em busca de tratamento, sabia que era necessário.
Em alguns momentos da vida é preciso ter cuidado. Esse é um deles. Aqui estava eu, rodeado de muitas pessoas, porém, sentindo-me absolutamente sozinho. Apenas duas amigas sabem do meu diagnóstico.
Muitas vezes, o sentimento que aperta o meu peito é de cansaço, de esgotamento. De estar no fundo de um poço e, como dizem, lá não existe uma mola. A vida tem um estranho jeito de caminhar para o futuro.
Esse mês completa dez meses que iniciei o meu tratamento e durante esse tempo evitei procurar locais que falam sobre o assunto para me abrir. Porque esse assunto ainda mexe demais comigo. Talvez pelas consequências da perda do meu amado companheiro.
Atualmente tenho acompanhamento médico, os meus exames estão bons. Sempre fui contra preconceitos, mas a insegurança que envolve esse assunto me assombra todos os dias.
E se alguém descobrir? E se meus amigos me virarem as costas? E no futuro, se um dia surgir um novo amor?
Podemos seguir a ideia de “Não me pergunte nada. Não respondo nada”. E mesmo assim ser feliz?
É difícil encontrar alguém que nos ame apesar de tudo, mas não posso fugir do que sou.
Mesmo sabendo que esse vírus está presente em muitos lugares, com pessoas que a gente nem desconfia, a impressão é que sou a única pessoa no mundo com HIV. Mesmo tendo muitas qualidades, como qualquer pessoa, o vírus parece ser a peça principal do meu quebra-cabeça. Parece que ele anulou tudo de bom que eu tinha.
Pode ser que isso seja considerado por alguns leitores como crise existencial. Se for isso, pode-se dizer que essa maldita crise faz com que gente normal, como eu, tenha medo de arriscar. Faz também com que a ideia de perder algo importante, ou pior, perder algo que nem sei o que é, seja o tema principal dos meus pensamentos.
Acredito que um dia vou conseguir enfrentar a realidade. Muita gente com problemas infinitamente mais sérios que o meu consegue. Minha vida parece estar assombrada. Sei que fantasmas só aparecem quando têm assuntos pendentes, e irão embora, automaticamente, quando forem resolvidos.
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